A coisa mais indispensável a um homem é reconhecer o uso que deve fazer do seu próprio conhecimento. "

Platão

sexta-feira, 30 de março de 2012

A República, de Platão


Análise da obra

No século IV a.C., em data imprecisa, surgiu em Atenas a primeira concepção de sociedade perfeita que se conhece. Tratou-se do diálogo A República (Politéia), escrito por Platão, o mais brilhante e conhecido discípulo de Sócrates. As idéias expostas por ele - o sonho de uma vida harmônica, fraterna, que dominasse para sempre o caos da realidade - servirão, ao longo dos tempos, como a matriz inspiradora de todas utopias aparecidas e da maioria dos movimentos de reforma social que desde então a humanidade conheceu.

Essa é a obra mais importante de Platão. Nela ele expõe suas principais idéias. Ali está descrito o Mito da Caverna, o que é um filósofo e como é uma sociedade justa entre outras idéias.

Em A República, Platão idealiza uma cidade, na qual dirigentes e guardiães representam a encarnação da pura racionalidade. Neles encontra discípulos dóceis, capazes de compreender todas as renúncias que a razão lhes impõe, mesmo quando duras. O egoísmo está superado e as paixões, controladas. Os interesses pessoais se casam com os da totalidade social, e o príncipe filósofo é a tipificação perfeita do demiurgo terreno. Apesar de tudo isso e desse ideal de Bem comum, Platão parece reconhecer o caráter utópico desse projeto político, no final do livro IX de A República.

Tendo em vista esse ideal, o trabalho manual continuava não valorizado no âmbito da cidade-estado. A classe dos trabalhadores não era classe cidadã, pois não lhes sobrava tempo para a contemplação teórica da verdade e para a práxis política. Para Platão, o ideal humano se realizava na figura do cidadão filósofo, livre das incumbências da sobrevivência, constituindo um ideal altamente elitista.

Para além de todas as utopias da sua república ideal, da figura dos reis filósofos, devemos apreciar o ideal ético de Estado e o esforço de Platão para desvendar os vínculos que ligam os destinos das pessoas ao destino da cidade.

A República começa com um sofista, Trasímaco, declarando que a força é um direito, e que a justiça é o interesse do mais forte. As formas de governo fazem leis visando seus interesses, e determinam assim o que é justo, punindo como injusto aquele que transgredir suas regras. Para responder a pergunta "Como seria uma cidade justa?" , Sócrates começa a dialogar, principalmente com Gláucon e Adimanto. Platão salienta que a justiça é uma relação entre indivíduos, e depende da organização social. Mais tarde fala que justiça é fazer aquilo que nos compete, de acordo com a nossa função. A justiça seria simples se os homens fossem simples. Os homens viveriam produzindo de acordo com as suas necessidades, trabalhando muito e sendo vegetarianos, tudo sem luxo. Para implantar seu sistema de governo, Platão imagina que deve-se começar da estaca zero. O primeiro passo seria tirar os filhos das suas mães. Platão repudiava o modo de vida com a promiscuidade social, ganância, a mente que a riqueza, o luxo e os excessos moldam, típicos dos homens ricos de Atenas. Nunca se contentavam com o que tinham, e desejavam as coisas dos terceiros. Assim resultava a invasão de um grupo para o outro e vinha a guerra.

Platão achava um absurdo que homens com mais votos pudessem assumir cargos da mais alta importância, pois nem sempre o mais votado é o melhor preparado. Era preciso criar um método para impedir que a corrupção e a incompetência tomassem conta do poder público, Mas atrás desses problemas estava a psyche humana, como havia identificado Sócrates, Para Platão o conhecimento humano vêm de três fontes principais: o desejo, a emoção, e o conhecimento, que fluem do baixo ventre, coração e cabeça, respectivamente. Essas fontes seriam forças presentes em diferentes graus de distribuição nos indivíduos. Elas se dosariam umas às outras, e num homem apto a governar, estariam em equilíbrio, com a cabeça liderando continuamente. Para isso, é preciso uma longa preparação e muita sabedoria. O mais indicado, para Platão, é o filósofo: "enquanto os filósofos deste mundo não tiverem o espírito e o poder da filosofia, a sabedoria e a liderança não se encontrarão no mesmo homem, e as cidades sofrerão os males".

Para começar essa sociedade ideal, como dissemos, deve-se tirar os filhos dos pais, para protegê-los dos maus hábitos. Nos primeiros dez anos, a educação será predominantemente física. A medicina serve só para os doentes sedentários das cidades. Não se deve viver para a doença. Para contrabalançar com as atividades físicas, a música. A música aperfeiçoa o espírito, cria um requinte de sentimento e molda o caráter, também restaura a saúde.

Para Platão, a inspiração e a intuição verdadeira não se conseguem quando se está consciente, com a razão. O poder do intelecto está reprimido no sono ou na atenção que aflora com a doença. Ele então critica o controle da lei e da razão à certos instintos que ele chama de ilegais.

Depois dos dezesseis anos, e de misturar a música para lições musicais com a música pura, essas práticas são abandonadas. Assim os membros dessa comunidade teriam uma base psicológica e fisiológica. A base moral será dada pela crença em Deus. O que torna a nação forte seria Ele, pois ele pode dar conforto aos corações aflitos, coragem às almas e incitar e obrigar. Platão admite que a crença em Deus não pode ser demonstrada, nem sua existência, mas fala que ela não faz mal, só bem.

Aos vinte anos, chegará a hora da Grande Eliminação, um teste prático e teórico, Começa a divisão por classes da República. Os que não passarem serão designados para o trabalho econômico. Depois de mais dez anos de educação e treinamento, outro teste. Os que passarem aprenderão o deleite da filosofia. Assim se dedicarão ao estudo da doutrina e do mundo das Idéias.

O mundo das Idéias seria um mundo transcendente, de existência autônoma, que está por trás do mundo sensível. As Idéias são formas puras, modelos perfeitos eternos e imutáveis, paradigmas. O que pertence ao mundo dos sentidos se corrói e se desintegra com a ação do tempo. Mas tudo o que percebemos, todos os itens são formados a partir das Idéias, constituindo cópias imperfeitas desses modelos espirituais. Só podemos atingir a realidade das Idéias, na medida em que pelo processo dialético, nossa mente se afasta do mundo concreto, atravessando com a alma sucessivos graus de abstração, usando sistematicamente o discurso para se chegar à essência do mundo. A dialética é um instrumento de busca da verdade.

Platão acreditava numa alma imortal, que já existia no mundo das Idéias antes de habitar nosso corpo. Assim que passa a habitá-lo esquece das Idéias perfeitas. Então o mundo se apresenta a partir de uma vaga lembrança. A alma quer voltar para o mundo das Idéias. Um dos primeiros críticos de toda essa teoria de Platão foi um de seus alunos da Academia, Aristóteles.

Igualmente conhecida na República é a alegoria da caverna, que ilustra como percebemos apenas parte do mundo, reduzindo-o.

Um grupo de pessoas vive acorrentada numa caverna desde que nasceu, de costas para a entrada. Elas vêem refletida na parede da caverna as sombras do mundo real, pois há uma fogueira queimando além de um muro, depois da entrada. Elas acham que as sombras são tudo o que existe. Um dos habitantes se livra das amarras. Fora da caverna, primeiro ele se acostuma com a luz, depois vê a beleza e a vastidão do mundo, com suas cores e contornos. Ao voltar para a caverna para libertar seus companheiros, acaba sendo assassinado, pois não acreditam nele.

Depois de estudar a filosofia, aqueles que forem considerados aptos irão testar seus conhecimentos no mundo real, onde experimentarão os dissabores da vida, ganhando comida conforma o trabalho, experimentando a crua realidade. Aos cinqüenta anos, os que sobreviveram tornarão-se os governantes do Estado.

Todos terão oportunidades iguais, mas na eliminação serão designados para classes diferentes. Os filósofos-reis não terão nenhum privilégio, tendo só os bens necessários, serão vegetarianos e dormirão no mesmo lugar. A procriação será para fins eugênicos, o sexo não será apenas por prazer. Haverá defensores contra inimigos externos, os guardiões, homens fortes, dedicados à comunidade. Não haverá diferença de oportunidade entre o sexo, sendo cada um designado a fazer uma tarefa de acordo com a sua capacidade.

Platão fala da renuncia do individuo em prol da comunidade, impondo inúmeras condições para a vida. Ele atenta para um problema muito preocupante em nossos dias: a superpopulação. Os homens só poderiam se reproduzir entre os trinta e quarenta e cinco anos, e as mulheres entre os vinte e quarenta anos. Também a legislação de Esparta, que muito inspirou Platão, e a proposta de Aristóteles na Política levam em conta este aspecto. Assim, resumidamente seria o Estado ideal, justo. O próprio Platão fala de dificuldade em se fazem um empreendimento dessa natureza. Um rei ofereceu à ele terras para fazer sua República, ele aceitou, mas o rei ficou sabendo que quem iria governar eram os filósofos e mudou de idéia.

Apesar do título, A República (em grego: Politéia), Platão nesta obra não tem como ponto principal a reflexão sobre teoria política. Nesta obra, o filósofo lida sobretudo com as questões em torno da paidéia, a formação grega, na tentativa de impor uma orientação filosófica de educação em oposição à paidéia poética então vigente. Outro alvo que tem em vista é a carreira que os sofistas vinham desenvolvendo como educadores que, com sua retórica, preparavam os cidadãos a saberem argumentar nos embates democráticos da ágora. Não tinham, portanto, um compromisso com a verdade - seus argumentos giravam em torno das percepções, opiniões e crenças - a doxa. A república ideal seria mais um resultado da paidéia filosófica que Platão tenta fundamentar e propor com seus argumentos nesta obra do que o tema central da argumentação em si. Apenas um terço dos dez livros de A República, aproximadamente, tratam da organização e fundamentação filosófica da pólis especificamente. O tratamento dado às questões por Platão acaba por se tornar sistematizado por aqueles que adotam sua teoria, a partir do quê o pensamento no ocidente se torna uma sucessão de sistemas teóricos. Isso nos leva a considerá-lo o "pai" da filosofia, ao menos da filosofia enquanto pensamento sistematizado.

Estrutura da obra

A República pertence, juntamente com o Banquete (Simpósio), o Fédon e o Fedro, à maturidade de Platão. É a obra mais extensa do autor. Foi elaborada ao longo de vários anos, pois nela já estão presentes as idéias mestras de seu sistema: Teoria do Mundo das Idéias (Hiper Urânio); o Filósofo Rei, a imortalidade da alma, etc. Seu estilo, como a maioria das demais obras de Platão, é o diálogo, isto é, um processo de discussão (dialética) através de perguntas e respostas com o escopo de atingir a verdade (VII-534b). Composta por dez livros, inicia-se e termina com a discussão em torno da justiça como virtude maior, na consecução de um “Estado perfeito”.

Seguindo a tradição da didática grega, aqui Platão lançará mão da alegoria (Livro VII) e do mito, com o objetivo de “ir além” daquilo que a razão (logos) pode descrever, sobretudo quando trata de assuntos escatológicos como no Mito de Er (X. 614b-621b).

Personagens

Mencionar as figuras da República é necessário tanto para a compreensão desta obra de Platão, assim como para destacar a importância de outros pensadores que formaram o pensamento filosófico grego.

Sócrates - Principal figura, na boca do qual Platão coloca seu pensamento. O encontro de Sócrates com os demais personagens se dá no Pireu, onde ele havia se dirigido com a finalidade de orar e constatar as festividades em honra à deusa Bêndis (Diana ou Ártemis) (327a). O local da discussão é a casa de Polemarco, irmão de Lísias e Eutidemos, filhos do velho Céfalo (327b).

Acompanham Sócrates os dois irmãos de Platão, Glauco e Adimanto; também Nicerato que figurará entre os personagens do Banquete. Este era filho do general Nícias que, em 421, celebrou o armistício na guerra do Peloponeso. Nicerato foi condenado a beber cicuta no mesmo período que Sócrates.

Polemarco - Filho mais velho de Céfalo, herdou deste a fábrica de escudos. À época dos Trinta Tiranos, foi também preso e obrigado a beber cicuta.

Lísias - Considerado juntamente com Demóstenes, um dos mestres da oratória clássica grega, foi condenado à morte com o irmão Polemarco. Conseguiu escapar e, ao regressar, processou Eratóstenes pela morte do irmão, no célebre sermão Contra Eratóstenes. É nessa obra que descreve a vida de seu pai Céfalo.

Céfalo - Nasceu em Siracusa – portanto, era meteco -, estabeleceu-se em Atenas e após trinta anos acumulou fortuna com uma fábrica de escudos; foi desapropriado pelos Trinta Tiranos. É Céfalo que convida Sócrates a vir com freqüência em casa para debater com seus filhos (329d).

Trasímaco - é o famoso sofista. Especialista na dialética, irrita-se com a ironia de Sócrates, no início da discussão sobre a Justiça (336d. 337a). Definirá a justiça como “a conveniência dos mais poderosos” (340b).

Conteúdo

O próprio título da obra, Politéia, pode trazer embaraço quanto ao conteúdo, se não for esclarecido. Traduzida comumente pelo latim República (de respública = coisa pública), politéia indica tudo aquilo que compõe a origem e organização da Polis, as suas leis, o modus agendi de seus súditos, as formas de governo, etc. Devido a essa abrangência de significados, os temas tratados são os mais variados. Decorre daí a quase impossibilidade de uma resenha completa.

Livro I - aponta Sócrates obrigado a pernoitar na casa de Polemarco e aí inicia seu diálogo com Céfalo. Primeiro, é Céfalo que o convida a vir mais vezes a ter com os filhos Polemarco, Lísias e Eutidemo. Em tom respeitoso, Sócrates pergunta sobre a velhice, ao qual Céfalo responde sobre as agruras da senectude e, citando Sófocles, indica que o mal não é a velhice em si. Ser velho ou jovem, tudo depende do caráter: “Quando se possui boa índole e mente bem equilibrada, a própria velhice não é algo incompactável. Os que são diversamente constituídos, esses acham a mocidade tão tediosa quanto a velhice”. (329d)

Logo Sócrates conduz o diálogo ao seu objetivo primeiro: definir o que é a justiça (Dikaiosyne), e é Céfalo a dar a primeira definição: “Justiça é dizer a verdade e restituir o que se tomou” (331c). Céfalo se retira do diálogo deixando o posto ao seu filho herdeiro Polemarco. Este define a Justiça como “dar a cada um o que lhe é devido”; Sócrates o retruca com ironia: deve-se restituir algo a alguém que está fora do juízo? Adiante, faz ainda Polemarco afirmar que “a Justiça é favorecer aos amigos e prejudicar os inimigos”, ao que o próprio Sócrates rebate: “Se alguém disser que a Justiça consiste em restituir a cada um aquilo que lhe é devido, e com isso quiser significar que o homem justo deve fazer mal aos inimigos, e bem aos amigos – quem assim falar não é sábio, porquanto não disse a verdade. Efetivamente, em caso algum nos pareceu que fosse justo fazer mal a alguém” (335e).

A esta altura do diálogo, entra em cena o sofista Trasímaco que, após cobrar pela discussão, define a justiça como “o interesse do mais forte”. Algo que depende do interesse de quem governa. Tirando assim, como sofista que era, toda dimensão ética da justiça (338c).

A definição de justiça ocupará ainda os livros II, III e IV. Sócrates alarga o campo da discussão, não relaciona a justiça com o cidadão, mas a coloca no contexto da cidade. Entram em cena Glauco e Adimanto, irmãos “corajosos” de Platão. Estes tentam demonstrar a bondade intrínseca da virtude (justiça) e não só os seus efeitos. A esta altura, Sócrates estabelece a origem da Polis a partir “do fato de cada um de nós não ser auto-suficiente, mas sim necessitado de muita coisa” (369b). Apontando os profissionais necessários para suprir todas as exigências de uma cidade, descreve como uma cidade minúscula tornar-se-á grande e luxuosa, com a necessidade de classes de cidadãos especializados em seus ofícios. Dá-se início a um dos temas relevantes da República: a educação.

Sócrates fala primeiro do aprimoramento da educação dos soldados que se dará através da “ginástica para o corpo e da música para a alma” (276c), iniciando pela música. Deve-se peneirar as letrasAche os cursos e faculdades ideais para você. É fácil e rápido. das músicas (poesia, fábulas) porque estas contêm somente parte da verdade e com isso deturpam a alma; portanto, devem sofrer uma censura constante, inclusive a Ilíada (379...), onde atribui-se aos deuses tanto o bem quanto o mal. Este tipo de poesia deverá ser banida da educação dos futuros guardiões (383c). Não só a poesia/música, mas todas as demais artes deverão ser vigiadas. Esta censura constitui parte do livro III.

Livro IV - Sócrates, dando por fundada a cidade, questiona: “onde poderá estar a justiça, e onde a injustiça, e em que diferem uma da outra” (427d). Para vir à tona o lugar da justiça, enumeram-se as virtudes que uma cidade perfeita deve possuir; estas formam uma “sinfonia”- em primeiro está a sabedoria (Sofia), virtude dos que governam; segue-se a coragem (andréia), que é a virtude dos guerreiros: “É, pois, uma força desta ordem, salvação em todas as circunstâncias de opinião reta e legítima, relativamente às coisas temíveis e às que não o são, que eu chamo coragem e tenho nessa conta, se não tens nada a opor.” (430b) Vem em seguida a temperança (sofrosine). É a virtude de toda a cidade, e não de uma classe específica; consiste na ordenação, no domínio diante dos excessos, é “a concórdia, harmonia entre os naturalmente piores e os naturalmente melhores, sobre a questão de saber quem deve comandar, quer na cidade, quer num indivíduo” (432a). Por último, surge a mais importante das virtudes e causa das demais: a justiça (dikaiosyne). “E esta consiste em que cada um realize a função para a qual a sua natureza for mais adequada” (433 a-b-c-d).

“Lembras-te daquele princípio original em que sempre insistíamos durante a fundação da cidade: o de que um homem deve atender a uma coisa só, isto é, aquilo para que a sua natureza está melhor dotada? Pois a justiça é este princípio... Podemos presumir que, de certo modo, a justiça consiste nisso: em fazer cada qual o que lhe compete... Esta é a causa primeira e condição de existência de todas as outras três virtudes, e que as conserva enquanto nelas subsiste”. (433 a-b-c).

Livro V - a pedido de Polemarco, Sócrates retoma o tema já mencionado (423 e 424) da “posse comum das mulheres e filhos entre os guardiões” (449d). Preocupado com a purificação da raça (eugenia) e com o adestramento (eutenia), propõe para tal fim, que as mulheres dos guardiões “se revestirão de virtude em vez de roupa” (457a-b), participarão das agruras da guerra em defesa da cidade, praticarão ginástica e música. “Estas mulheres todas serão comuns a todos esses homens, e nenhuma coabitará em particular com nenhum deles; e, por sua vez, os filhos serão comuns, e nem os pais saberão quem são os seus próprios filhos, nem os filhos os pais”. (457d).

Todo esse processo eugênico tem por fim a realização do Estado Ideal, governado por filósofos e guardiões que jamais deverão se distrair de suas principais ocupações. Obstinado em tal propósito, Sócrates chega a excluir qualquer valor ao amor materno ou paterno, antepondo sempre os objetivos do Estado (460-461). Admite-se o aborto e o infanticídio quando ocorrerem concepções fora do estabelecido pelo Estado (461c)

Livro VI - inicia com a distinção entre “quem é que é filósofo e quem não o é” (484 a): Filósofos, responde Sócrates, são aqueles que são capazes de atingir aquilo que se mantém sempre do mesmo modo, os que não o são se perdem no que é múltiplo e variável (484b). Como as leis e os costumes do Estado devem refletir o eterno, somente os filósofos, capazes de conceber as idéias eternas, devem ser estabelecidos guardiões por serem capazes de guardá-las.

A alma filosófica ao “contemplar a totalidade do tempo e do ser” (486a), colocará a própria vida e a morte em segundo plano e se “apaixonará pelo saber que possa revelar-lhe algo daquela essência que existe sempre, e que não se desvirtua por ação da geração e da corrupção” (485b).

À crítica da inutilidade do filósofo na cidade, Sócrates responde que este é analogamente o médico diante dos doentes e o piloto diante dos marujos.

Livro VII - tratar-se-á da educação do futuro governo-filósofo. Todas as quatro virtudes (sabedoria, coragem, temperança e justiça) sobre as quais deve ser construído o Estado Ideal, só são conhecidas, úteis e valiosas a partir da idéia de Bem. Assim, a idéia do Bem constitui-se no mais alto saber, ao qual os guardiões devem aspirar e serem conduzidos. É mediante tal idéia que tudo se torna compreensível: “... No limite do cognoscível é que se avista, a custo, a idéia do Bem; e, uma vez avistada, compreende-se que ela é para todos a causa de quanto de justo e belo há; que, no mundo visível, foi ela que criou a luz, da qual é senhora; e que, no mundo inteligível, é ela senhora da verdade e da inteligência, e que é preciso vê-la para ser sensato na vida particular e pública” (517 a-b-c).

Mas, para que o guardião, futuro filósofo-rei, atinja o Bem, é preciso “sair da caverna e contemplar o Sol”. É no livro VII que está a “alegoria da caverna”, a mais sugestiva imagem da República, que trata dos níveis do conhecimento humano (514-a. 518-b).

Livros VIII e IX - Sócrates descreve as transformações que as formas de governo podem sofrer e recapitular as regras do “Estado Comunista”, onde os governantes, assim como os soldados e atletas, possuirão tudo em comum (mulheres, filhos, casas e educação).

A forma ideal de governo é a aristocracia (544e), comandada por aqueles que amam o saber, o bem e o justo. Mas, se tudo o que nasce está sujeito à corrupção, nem uma constituição como essa permanecerá para sempre, há de dissolver-se (546a). Através de um complicado cálculo geométrico, Sócrates faz ver que há uma falha eugênica (exemplificada pela mistura indevida de metais) (547a); o amor à justiça é substituído pelo amor ao poder e à riqueza; assim, ocorrerá a Timocracia, “uma forma de governo entre a aristocracia e a oligarquia” (547c). A esta sucede a oligarquia, governo dos que amam o dinheiro (551a). Ao legislar em favor só de uma classe, a dos ricos, esta forma de governo causará a cisão do Estado: “É que um Estado desses não é um só, mas dois... o dos pobres e o dos ricos, que habitam no mesmo lugar e estão sempre a conspirar uns contra os outros” (551 d). Termina o amor à virtude. O Estado entra em luta consigo mesmo: um partido de poucos muito ricos e outro de muitos pobres estarão em guerra, prevalecendo o último: “A democracia surge... quando após a vitória dos pobres, estes matam uns, expulsam outros, e partilham igualmente... o governo e as magistraturas, e esses cargos são, na maior parte, tirados à sorte (557a). Tendo a liberdade por base, na democracia ocorrerá a ausência de qualquer exigência e o desprezo pelos princípios. A democracia conduz à anarquia: “Estas são as vantagens da democracia: uma forma aprazível, anárquica, variegada, e que reparte a sua igualdade do mesmo modo pelo que é igual e pelo que é desigual” (558c). Ao exasperar a liberdade como bem supremo, “eliminam-se até as diferenças impostas pela natureza e, assim, a liberdade em excesso não conduz a mais nada que não seja a escravatura em excesso, quer para o indivíduo, quer para o Estado” (564 a). E dessa forma surge a Tirania: do cúmulo da liberdade surge a mais completa e mais selvagem das escravaturas (564b). Primeiro, instaura-se a anarquia, e dessa situação aproveita-se o tirano que, de pretenso defensor da ordem, transforma-se em lobo, impondo a força sobre todos. É o reino da injustiça.

No final do livro IX, Glauco questiona que tal Estado Ideal, como Sócrates propõe, é utópico, jamais existirá. Este Estado permanecerá como modelo eterno a ser contemplado: “Talvez nos céus haja algum modelo para alguém que deseja consultá-lo e por ele modelar a conduta da própria alma”, é a resposta de Sócrates.

Livro X - no início do livro Sócrates retoma a crítica à poesia como meio educativo. A poesia não revela as coisas como são, mas como num espelho, nos revela só a aparência; e da natureza humana descreve somente o trágico e o triste. A poesia, enfim, está a três passos da realidade ( ). Deverá ser excluída da Cidade uma arte dessa espécie (607b), pois seria prejudicial à justiça e às demais virtudes (608b). Sócrates dá a entender que a poesia deva ser substituída pela filosofia, como meio educativo, pois somente esta pode nos revelar, na sua forma dialética, o que é a realidade de fato.

O restante do livro X constitui uma exortação à prática do Bem, ou seja, da justiça e das demais virtudes. Sócrates recorre ao discurso escatológico através do mito de Er, onde fala da recompensa no pós morte: afinal, a vida “é um grande combate (megas agon), meu caro Glauco, é mais do que parece, o que consiste em nos tornarmos bons ou maus. De modo que não devamos deixar-nos arrebatar por honrarias, riquezas, nem poder algum, nem mesmo pela poesia, descurando a justiça e as outras virtudes” (608b).

Concluindo a República, Sócrates trata da imortalidade da alma e tenta equacionar o destino com a responsabilidade. Retornando às figuras das três Parcas: Laquesis (passado), Cloto (presente) e Átropos (futuro), as filhas da Necessidade, Sócrates folga os laços do férreo destino, defendido pelo pensamento grego anterior: “Não é o gênio que vos escolherá, mas vós que escolhereis o gênio. O primeiro a quem a sorte couber, seja o primeiro a escolher uma vida a que ficará ligado pela necessidade. A virtude não tem senhor; cada um a terá em maior ou menor grau, conforme a honrar ou a desonrar. A responsabilidade é de quem a escolhe. O deus é isento de culpa” (617 e).

Assim, como é impossível a alguém descrever todos os detalhes de uma obra de arte, analogamente nesta resenha não foi possível transmitir “tudo” sobre a República – que esta sirva ao menos como convite à leitura e contemplação desta obra prima do gênio grego.

Fonte: http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/livros/analises_completas/a/a_republica

quarta-feira, 28 de março de 2012

CONHEÇA O RESUMO DO LIVRO "A FILOSOFIA E SEUS PROBLEMAS" de Mario Ariel Gonzalez Porta


O problema inicial do livro de Mario Porta é o de discutir a aprendizagem e propor um método de abordagem da filosofia. Na introdução, o autor pede ao leitor que seu livro seja julgado por sua utilidade, isto é, a de efetivar uma certa prática de exposição filosófica preocupada em ser compreensível e acessível ao leitor.
A tese do autor é a de que grande parte das dificuldades encontradas para se entender o pensamento filosófico deve–se à falta de entendimento do problema filosófico proposto. Portanto, a compreensão do problema constitui–se no núcleo do ensino e da aprendizagem em filosofia.
Na primeira parte do livro, Mario Porta desenvolve a idéia central do estudo da filosofia a partir dos seus problemas, isto é, procura responder à seguinte questão: no que consiste um "modo filosófico de pensar?"
O autor afirma de forma tranqüila que a história da filosofia não seria "um caos de pontos de vista incomensuráveis, nem consiste simplesmente em possuir certezas. Trata–se de ter opiniões sobre certos temas bem definidos e sustentá–las em algo diferente de uma convicção pessoal; mais ainda, o núcleo essencial da filosofia não é constituído de crenças tematicamente definidas e racionalmente fundadas, senão de problemas e soluções." (p. 25)
Esta leitura da história da filosofia, que reaparece na consideração final do livro, é bem controversa, pois considera os sistemas filosóficos comensuráveis e como continuidade ou "sedimentação conceitual" (p. 34). Segundo o autor, a filosofia posterior conteria a discussão anterior e não haveria ruptura e sim continuidade.
O ponto de partida da análise filosófica seria o de entender o problema; diante de um filósofo particular, começamos pela pergunta "qual é o problema por ele proposto?"(p.26).
Porta apresenta uma exposição da filosofia como guardiã da razão e vê em todo questionamento filosófico da razão uma incoerência. A racionalidade ocidental garante o esclarecimento, o discernimento, a reflexão clara e consciente e a não–contradição. "Pensar racionalmente é, em boa medida, separar, distinguir, diferenciar."(p.44) O autor apresenta uma leitura de defesa da racionalidade ocidental, pois, dentre outras coisas, argumenta a favor do conceito e da análise filosófica.
Na nota 3 da p. 44 diz Porta que
é usual escutar que a análise congela e isola as idéias. Nada mais injusto que isto. A análise não detém o pensamento, nem implica atomismo. Distinguir não é isolar, senão o primeiro passo imprescindível para estabelecer relações bem definidas. O todo é assim clarificado em cada uma de suas articulações. Quanto mais vinculadas se encontram duas idéias, mais necessária é sua distinção. Em realidade, a análise só se opõe a confusão e vaguidade: pensamento confuso e vago é aquele que não distingue onde é possível. (p. 44).
A nota construída de forma assertiva na verdade assume um ponto absoluto com relação ao conceito e à análise filosófica.
Pareceu–nos bastante curiosa a nota 4 da p. 45, onde o autor diz que " a ansiedade é inimiga da filosofia. O acompanhamento medicamentoso se torna, em alguns casos, recomendável." Teríamos aqui uma ironia?
Como ler, então, um texto de filosofia? Diz o autor que existem duas perspectivas possíveis sobre um texto: leitura e produção. A leitura tenta apreender a lógica do sistema filosófico. A produção constrói, por argumentos, a estrutura lógica do texto. Portanto, ao ler um texto de filosofia, devemos nos preocupar em saber qual a questão formulada na obra e apreender, a partir do problema, a lógica das razões levantadas pelo autor.
Diz Porta: "observamos em vários momentos que só é possível compreender textos filosóficos a partir de seus problemas (introdução, finalidade do livro, final) e que esses, por sua vez, não estão simplesmente aí esperando ser tomados, mas que sua 'construção' é parte essencial da atividade filosófica". (p.85) Para compreender o texto filosófico é necessário reconstruir racionalmente o problema, explicitar pressupostos teóricos, compreender o contexto histórico e apreender a lógica das razões levantadas.
Na segunda parte do livro, o autor expõe dois exemplos que colocam em movimento a tese de A filosofia partir de seus problemas. Em dois textos, publicados em momentos diferentes e reunidos no livro, é apresentada a filosofia de Kant (no capítulo 1 da segunda parte) e a de Cassirer (no capítulo 2 da segunda parte).
No texto sobre Kant "O Problema da Crítica da Razão Pura", o autor apresenta de forma didática e clara a teoria de Kant sobre o conhecimento e sobre a ética. No texto bastante elucidativo sobre Cassirer, cujo título é "O Problema da filosofia das formas simbólicas", Mario Porta expõe a filosofia das formas simbólicas proposta pelo neokantiano em questão. No último capítulo da segunda parte do livro, discute–se a filosofia contemporânea, porém tomando como ponto de partida a tese de que existe uma unidade na história da filosofia.

FONTE: Prof. Marcelo Carbone Carneiro1

1 Professor do Departamento de Ciências Humanas – FAAC – UNESP/Bauru.

terça-feira, 27 de março de 2012

CONHEÇA UM POUCO SOBRE OS AUTORES DO TEXTO "A CONSTRUÇÃO SOCIAL DA REALIDADE"


Peter Berger e Thomas Lukmann: indivíduo e sociedade

A abordagem de Peter Berger e Thomas Lukmann apreende a sociedade como uma realidade ao mesmo tempo objetiva e subjetiva. A sociedade é uma produção humana e o homem é uma produção social. A sociedade é entendida como um processo dialético de exteriorização, objetivação e interiorização. Os autores explicam a sociedade como realidade subjetiva, considerando que a socialização é o processo pelo qual ocorre a interiorização da realidade. A socialização é explorada num duplo viés, a dizer a socialização primária e a socialização secundária. “A socialização primária é a primeira socialização que o indivíduo experimenta na infância, e em virtude da qual torna-se membro da sociedade” (p. 175). Através da socialização primária o indivíduo toma posse de um “eu” e de um “mundo” objetivo, ou seja, é integrado a uma dada realidade. O indivíduo adquire conhecimento do papel dos outros e neste processo entende o seu papel, em suma, apreende sua personalidade através de uma atitude reflexa. A consolidação dos papéis sociais é entendida como tipificações de condutas socialmente objetivadas. A socialização primária envolve o sentimento de emoção, a secundária não. A socialização primária é definitiva. A linguagem é um dos principais mecanismos de socialização primária. “A socialização secundária é qualquer processo subseqüente que introduz um indivíduo já socializado em novos setores do mundo objetivo de sua sociedade (p. 175)”. A socialização secundária é a interiorização de “submundos” institucionais e baseados em instituições. Estes submundos são geralmente realidades parciais, em contraste com o mundo básico adquirido na socialização primária. A socialização secundária não sobrepõe a identidade criada na socialização primária. A socialização secundária admite re-elaboração, pode ser reconstruída. A mudança social ocorre na relação entre a socialização primária e secundária. A socialização primária orienta-se para a formação da identidade social, ela é essencialmente reprodutora do mundo social. É o processo de incorporação da realidade tal qual ela é, ou seja, intenta a integração dos indivíduos nas relações sociais de produção e reprodução existentes. A socialização secundária produz as identidades. Nela ocorre a invenção de novos jogos, de novas regras e de novos modelos relacionais. A partir de um processo de diferenciação da realidade social que ocorre na socialização secundária se implementam novas formas de socialização primária. A socialização das gerações é diferenciada. Os aparelhos de socialização primária (famílias, escola) entram em interação com os aparelhos de socialização secundária (empresas, profissões) provocando crises de sentido nos saberes. A socialização secundária pode por em causa as hierarquias e saberes da socialização primária. Afinal, não é a criança quem vai mudar as regras. A possibilidade de construção de outros mundos interiorizados a partir da socialização secundária para além dos que foram interiorizados na socialização primária seria a base da mudança social. A linguagem especializada, própria de cada “campo” é um dos principais mecanismos de socialização secundária. A teorização dos autores sobre o duplo viés da socialização é muito interessante, tornando, por exemplo, a concepção de que parte, qual seja de G H Mead, mais completa. Porém, considero criticáveis alguns pontos da teorização dos autores, mas isso devido à antiguidade do texto, evidentemente muito superado em termos de contexto social – afinal o texto de 1967. Parece haver um Q de determinismo por parte do processo de socialização primária, principalmente baseando-se na família. Os autores insistem em trabalhar com a idéia das classes superior e inferiores, como que tendo uma socialização totalmente diferenciada. Eu discordo um pouco quanto a isso, pois numa sociedade em que existe televisão em todas as classes há um banho de informação que perpassa as classes sociais, por exemplo. Desde muito cedo as crianças apreendem informações que superam a família, basta ver o uso do computador ou videogames por crianças em famílias em que os pais não usam computador e nunca vão usar, mas as crianças buscam isso. Talvez para o contexto atual já existam socializações secundárias anteriores às socializações “mais especializadas” em termos de divisão social do trabalho ou campos específicos. Basta conversar com uma criança de quatro anos e observar que elas percebem coisas que nós talvez só tenhamos percebido aos 18 anos. A socialização primária demarca a percepção de que “o mundo é assim” e se completa quando surge a dúvida de “por que o mundo é assim”. A mim parece que essa dúvida surge cada vez mais cedo. Essas idéias podem, ao meu ver, serem implementadas à teoria dos autores, pois como eles mesmo colocam a socialização nunca é total e nem está jamais acabada (p. 184). Segundo Berger e Lukmann, o social pré-existe ao individual, mais do que isso, o social é que permite a individualização. O indivíduo não nasce como membro de uma sociedade, mas nasce com a predisposição para a sociabilidade e torna-se membro da sociedade. A concepção do processo de socialização em um duplo viés é o centro da teorização proposta, principalmente no que se refere à socialização secundária. A socialização primária segue os moldes do que propôs G H Mead. Mas a socialização secundária é original. Impõem compreender uma constituição dialética da socialização que dá ênfase à mudança social a partir do próprio processo de socialização tendo por plano de fundo o processo de diferenciação de esferas – ou campos – sociais. A abordagem dos autores estabelece uma fenomenologia da socialização. Intentam, Berger e Lukmann, a demonstrar a reprodução e produção da sociedade como realidade tanto objetiva quanto subjetiva, e demonstram, consistentemente, como objetividade e subjetividade interagem. A perspectiva de Berger e Lukmann vem na esteira da Escola de Chicago, trazendo a importância do sujeito na produção, reprodução e transformação do social. Ao mesmo tempo os autores avançam em relação à própria Escola de Chicago, quando entendem que o estudo do micro está inserido no macro.

Peter Berger nasceu em Viena em 1929. Emigrou aos Estados Unidos aos 17 anos. Estudou no Wagner College e sociologia na New School for Social Research de Nova York, onde se doutorou. Sua atividade docente se desenvolveu nas Universidades da Geórgia e a Carolina do Norte, para voltar à New School for Social Research de Nova York, como professor de sociologia. Posteriormente, ensinou sociologia e teologia na Escola de Teologia da Universidade de Boston, de cujo Institute for the Study of Economic Culture foi diretor.Junto com Thomas Luckman teoriza a cerca da realidade como construção social (The Social Construction of Reality. A Treatise in the Sociology of Knowledge, 1967).

Thomas Luckmann, Alemanha, 14 de outubro de 1927, foi um professor de Sociologia na Universidade de Constança na Alemanha. Desde 1994 ele é professor emérito. Luckmann tornou-se conhecido pelo seu livro A construção social da realidade, editado em 1966 com Peter L. Berger e pelo Estruturas do mundo da vida (1982, junto com Alfred Schütz). As áreas de pesquisa de Luckmann incluem a Sociologia do conhecimento, a Sociologia da religião, a sociologia da comunicação e a a filosofia da ciência.


Resenha com base em:
BERGER, Peter; LUCKMANN, Thomas. A construção social da realidade. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 1999. Texto original de 1967. (Trechos selecionado: Parte III – A sociedade como realidade subjetiva, pp. 173-241).

segunda-feira, 26 de março de 2012

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