“Se a felicidade humana é o fim da nossa atividade, ela só pode ser alcançada através de nossos atos. Esses atos nos levam, direta ou indiretamente, ao fim almejado. E a razão é o meio de que dispõe o homem para alcançar esse fim.” Tomas de Aquino, in “Suma Contra Gentiles”, c. 104.A moral tomista é uma moral sem obrigação, uma moral sem sanções. Repele o legalismo kantiano ou escotista para permanecer com a filosofia do ser evolutivo sobre a base de Deus; e quanto às sanções, não conta com “recompensas” extrínsecas, mas com o resultado de uma evolução normal, dentro e sob a garantia de uma ordem que sabemos ser da divindade.“Onde quer que se estabeleça uma ordem de finalidade bem determinada, é de necessidade que a ordem instituída conduza ao fim proposto e que o afastar-se dela implique já o privar-se de tal fim. Pois, o que é em razão de um fim, recebe sua necessidade desse mesmo fim; e um vez posto, salvo o caso de força maior, o fim é conseguido”.
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Nasceu Tomás de Aquino, no castelo de Roccasecca, da família feudal dos condes de Aquino. Era unido pelos laços de sangue a família imperial e as famílias reais de França, Sicília e Aragão. Recebeu a primeira educação no grande mosteiro de Montecassino, passando a mocidade em Nápoles como aluno daquela universidade.
Depois de ter estudado as artes liberais, entrou na ordem dominicana, renunciando a tudo, salvo a ciência.
Tal acontecimento determinou uma forte
reação por parte de sua família, mas Tomás de Aquino triunfou da
oposição e se dedicou ao estudo assíduo da teologia, tendo como mestre Alberto Magno, primeiro na universidade de Paris 1245 d.C a 1248 d.C., e depois em Colônia.
Após uma longa preparação e um desenvolvimento promissor, a escolástica chega ao seu ápice com Tomás de Aquino.
Adquire plena consciência dos poderes da razão, e proporciona finalmente ao pensamento cristão uma filosofia.
Após uma longa preparação e um desenvolvimento promissor, a escolástica chega ao seu ápice com Tomás de Aquino.
Adquire plena consciência dos poderes da razão, e proporciona finalmente ao pensamento cristão uma filosofia.
Assim, converge para Tomás de Aquino não
apenas o pensamento escolástico, mas também o pensamento patrístico, que
culminou com Tomás de Aquino, rico de elementos helenistas e
neoplatônicos, além do patrimônio de revelação judaico-cristã, bem mais
importante.
Para Tomás de Aquino, porém, converge diretamente o pensamento helênico, na sistematização imponente de Aristóteles.
O pensamento de Aristóteles, pois, chega a Tomás de Aquino enriquecido com os comentários pormenorizados, especialmente árabes.
Para Tomás de Aquino, porém, converge diretamente o pensamento helênico, na sistematização imponente de Aristóteles.
O pensamento de Aristóteles, pois, chega a Tomás de Aquino enriquecido com os comentários pormenorizados, especialmente árabes.
Também Alberto, filho da nobre família de
duques de Bollstädt, 1207 d.C. a 1280 d.C., abandonou o mundo e entrou
na ordem dominicana.
Ensinou em Colônia, Friburgo, Estrasburgo, lecionou teologia na universidade de Paris, onde teve entre os seus discípulos também Tomás de Aquino, que o acompanhou a Colônia, aonde Alberto foi chamado para lecionar no estudo geral de sua ordem.
Ensinou em Colônia, Friburgo, Estrasburgo, lecionou teologia na universidade de Paris, onde teve entre os seus discípulos também Tomás de Aquino, que o acompanhou a Colônia, aonde Alberto foi chamado para lecionar no estudo geral de sua ordem.
O Tomismo
É como é chamado o sistema filosófico de Tomás de Aquino e que se tornou também um sistema teológico incorporado à doutrina da igreja católica. Baseia-se, o tomismo, no princípio de que entre razão e fé, mesmo com as distinções existentes, há uma estreita colaboração entre ambos.
Segundo a filosofia teológica do tomismo a razão pode demonstrar algumas verdades da fé, como a existênciae a unicidade de Deus. Também pode explicar o mistério da fé por meio de imagens e metáforas. Serve o tomismo para responder às objeções dos ateus.
A atividade científica de Alberto Magno é
vastíssima: trinta e oito volumes tratando dos assuntos mais variados –
ciências naturais, filosofia, teologia, exegese, ascética.
Em 1252 Tomás de Aquino voltou para a
universidade de Paris, onde ensinou até 1269, quando regressou a Itália,
chamado a corte papal.
Em 1269 foi de novo a universidade de Paris, onde lutou contra o averroísmo de Siger de Brabante; em 1272, voltou a Nápoles, onde lecionou teologia. Faleceu no mosteiro de Fossanova, aos quarenta e nove anos de idade.
Em 1269 foi de novo a universidade de Paris, onde lutou contra o averroísmo de Siger de Brabante; em 1272, voltou a Nápoles, onde lecionou teologia. Faleceu no mosteiro de Fossanova, aos quarenta e nove anos de idade.
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Os frades não mentem
Santo Thomaz de Aquino provocava os
escolásticos de seu tempo com o refrigério da razão, demonstrando ser
possível à Igreja valer-se dos ensinamentos de Aristóteles. Quase
respondeu aos tribunais da Inquisição, mas livrou-se pela inteligência.
No mosteiro, eram poucos os frades que conseguiam acompanhá-lo. Certa
feita resolveram vingar-se.
Durante uma refeição, levantaram-se subitamente, foram à janela e avisaram: “Venha ver, Thomaz, um boi voando!”.
Foi, e enfrentou tremendas gargalhadas. Perguntaram-lhe como podia acreditar que um boi voava. Era o mesmo que acreditar no acoplamento de Aristóteles com a Igreja. Resposta que calou todo mundo: “Eu só não acredito, mesmo, que frades possam mentir…”.
Foi, e enfrentou tremendas gargalhadas. Perguntaram-lhe como podia acreditar que um boi voava. Era o mesmo que acreditar no acoplamento de Aristóteles com a Igreja. Resposta que calou todo mundo: “Eu só não acredito, mesmo, que frades possam mentir…”.
Diversamente de Santo Agostinho, e em
harmonia com o pensamento aristotélico, Tomás de Aquino considera a
filosofia como uma disciplina essencialmente teorética, para resolver o
problema do mundo. Considera também a filosofia como absolutamente
distinta da teologia, – não oposta – visto ser o conteúdo da teologia
arcano e revelado, o da filosofia evidente e racional. A gnosiologia
tomista – diversamente da agostiniana e em harmonia com a aristotélica –
é empírica e racional, sem inatismos e iluminações divinas.
O conhecimento humano tem dois momentos, sensível e intelectual, e o segundo pressupõe o primeiro.
O conhecimento sensível do objeto, que está fora de nós, realiza-se mediante a assim chamada espécie sensível.
Esta é a impressão, a imagem, a forma do objeto material na alma, isto é, o objeto sem a matéria: como a impressão do sinete na cera, sem a materialidade do sinete; a cor do ouro percebido pelo olho, sem a materialidade do ouro.
O conhecimento sensível do objeto, que está fora de nós, realiza-se mediante a assim chamada espécie sensível.
Esta é a impressão, a imagem, a forma do objeto material na alma, isto é, o objeto sem a matéria: como a impressão do sinete na cera, sem a materialidade do sinete; a cor do ouro percebido pelo olho, sem a materialidade do ouro.
O conhecimento intelectual depende do conhecimento sensível, mas transcende-o.
O intelecto vê em a natureza das coisas – intus legit – mais profundamente do que os sentidos, sobre os quais exerce a sua atividade.
Na espécie sensível – que representa o objeto material na sua individualidade, temporalidade, espacialidade, etc., mas sem a matéria – o inteligível, o universal, a essência das coisas é contida apenas implicitamente, potencialmente.
O intelecto vê em a natureza das coisas – intus legit – mais profundamente do que os sentidos, sobre os quais exerce a sua atividade.
Na espécie sensível – que representa o objeto material na sua individualidade, temporalidade, espacialidade, etc., mas sem a matéria – o inteligível, o universal, a essência das coisas é contida apenas implicitamente, potencialmente.
Para que tal inteligível se torne
explícito, atual, é preciso extraí-lo, abstraí-lo, isto é,
desindividualizá-lo das condições materiais.
Tem-se, deste modo, a espécie inteligível, representando precisamente o elemento essencial, a forma universal das coisas.
Pelo fato de que o inteligível é contido apenas potencialmente no sensível, é mister um intelecto agente que abstraia, desmaterialize, desindividualize o inteligível do fantasma ou representação sensível.
Tem-se, deste modo, a espécie inteligível, representando precisamente o elemento essencial, a forma universal das coisas.
Pelo fato de que o inteligível é contido apenas potencialmente no sensível, é mister um intelecto agente que abstraia, desmaterialize, desindividualize o inteligível do fantasma ou representação sensível.
Este intelecto agente é como que uma luz
espiritual da alma, mediante a qual ilumina ela o mundo sensível para
conhecê-lo; no entanto, é absolutamente desprovido de conteúdo ideal,
sem conceitos diferentemente de quanto pretendia o inatismo agostiniano.
E, ademais, é uma faculdade da alma individual, e não noa advém de fora, como pretendiam ainda i iluminismo agostiniano e o panteísmo averroísta.
E, ademais, é uma faculdade da alma individual, e não noa advém de fora, como pretendiam ainda i iluminismo agostiniano e o panteísmo averroísta.
O intelecto que propriamente entende o
inteligível, a essência, a idéia, feita explícita, desindividualizada
pelo intelecto agente, é o intelecto passivo, a que pertencem as
operações racionais humanas: conceber, julgar, raciocinar, elaborar as
ciências até a filosofia.
Como no conhecimento sensível, a coisa sentida e o sujeito que sente, formam uma unidade mediante a espécie sensível, do mesmo modo e ainda mais perfeitamente, acontece no conhecimento intelectual, mediante a espécie inteligível, entre o objeto conhecido e o sujeito que conhece.
Como no conhecimento sensível, a coisa sentida e o sujeito que sente, formam uma unidade mediante a espécie sensível, do mesmo modo e ainda mais perfeitamente, acontece no conhecimento intelectual, mediante a espécie inteligível, entre o objeto conhecido e o sujeito que conhece.
Compreendendo as coisas, o espírito se
torna todas as coisas, possui em si, tem em si mesmo imanentes todas as
coisas, compreendendo-lhes as essências, as formas. É preciso claramente
salientar que, na filosofia de Tomás de Aquino, a espécie inteligível
não é a coisa entendida, quer dizer, a representação da coisa (id quod
intelligitur), pois, neste caso, conheceríamos não as coisas, mas os
conhecimentos das coisas, acabando, destarte, no fenomenismo.
Mas, a espécie inteligível é o meio pelo qual a mente entende as coisas extramentais (é, logo, id quo intelligitur).
E isto corresponde perfeitamente aos dados do conhecimento, que nos garante conhecermos coisas e não idéias; mas as coisas podem ser conhecidas apenas através das espécies e das imagens, e não podem entrar fisicamente no nosso cérebro.
O conceito tomista de verdade é perfeitamente harmonizado com esta concepção realista do mundo, e é justificado experimentalmente e racionalmente.
E isto corresponde perfeitamente aos dados do conhecimento, que nos garante conhecermos coisas e não idéias; mas as coisas podem ser conhecidas apenas através das espécies e das imagens, e não podem entrar fisicamente no nosso cérebro.
O conceito tomista de verdade é perfeitamente harmonizado com esta concepção realista do mundo, e é justificado experimentalmente e racionalmente.
A verdade lógica não está nas coisas e nem
sequer no mero intelecto, mas na adequação entre a coisa e o intelecto:
veritas est adaequatio speculativa mentis et rei. E tal adequação é
possível pela semelhança entre o intelecto e as coisas, que contêm um
elemento inteligível, a essência, a forma, a idéia. O sinal pelo qual a
verdade se manifesta a nossa mente, é a evidência; e, visto que muitos
conhecimentos nossos não são evidentes, intuitivos, tornam-se
verdadeiros quando levados a evidência mediante a demonstração.
Todos os conhecimentos sensíveis são
evidentes, intuitivos, e, por conseqüência, todos os conhecimentos
sensíveis são, por si, verdadeiros.Os chamados erros dos sentidos nada
mais são que falsas interpretações dos dados sensíveis, devidas ao
intelecto.
Pelo contrário, no campo intelectual, poucos são os nossos conhecimentos evidentes. São certamente evidentes os princípios primeiros (identidade, contradição, etc.).
Pelo contrário, no campo intelectual, poucos são os nossos conhecimentos evidentes. São certamente evidentes os princípios primeiros (identidade, contradição, etc.).
Os conhecimentos não evidentes são reconduzidos a evidência mediante a demonstração, como já dissemos.
É neste processo demonstrativo que se pode insinuar o erro, consistindo em uma falsa passagem na demonstração, e levando, destarte, a discrepância entre o intelecto e as coisas.
É neste processo demonstrativo que se pode insinuar o erro, consistindo em uma falsa passagem na demonstração, e levando, destarte, a discrepância entre o intelecto e as coisas.
A demonstração é um processo dedutivo, isto é, uma passagem necessária do universal para o particular.
No entanto, os universais, os conceitos, as idéias, não são inatas na mente humana, como pretendia o agostinianismo, e nem sequer são inatas suas relações lógicas, mas se tiram fundamentalmente da experiência, mediante a indução, que colhe a essência das coisas.
A ciência tem como objeto esta essência das coisas, universal e necessária.
No entanto, os universais, os conceitos, as idéias, não são inatas na mente humana, como pretendia o agostinianismo, e nem sequer são inatas suas relações lógicas, mas se tiram fundamentalmente da experiência, mediante a indução, que colhe a essência das coisas.
A ciência tem como objeto esta essência das coisas, universal e necessária.
Fonte: http://www.biografia.inf.br/santo-tomas-de-aquino-filosofo.html
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